O rei narigudo

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Esta história fala do rei Mahendra, que tinha um nariz torto, monstruoso, horrível.
No entanto, o mesmo não percebia a enormidade do seu defeito; julgava-se, ao contrário, um verdadeiro tipo de beleza masculina. Infeliz daquele que gozasse, ou se referisse ao narigão disforme do rei! Colocava a cabeça na forca mais próxima!

Um dia, o monarca disse ao seu ministro:
– Quero ter no palácio, um retrato, cuja perfeição e fidelidade todos possam elogiar.
O ministro mandou chamar os melhores pintores do país. O prémio ao mais hábil seria magnífico: um elefante, um palácio e uma caixa de joias.

Apresentaram-se três habilidosos artistas: Kedar, pintor da corte, Meryem, de origem árabe, e o jovem Fauzi Nalik, um sírio de grande talento.

Kedar, dedicado a tela, com os seus ágeis pincéis fez surgir um perfeito retrato do rei; reproduziu o nariz do monarca exatamente como o modelo se lhe apresentava – enorme e monstruoso.
Quando o rei Mahendra ao ver a figura grotesca, nitidamente reproduzida no quadro, ficou furioso:
– Atrevido! Miserável! Fazer de mim semelhante monstrengo!
E mandou enforcar o pintor.

Meryem, o segundo artista, ao ver o triste fim do seu companheiro, achou prudente não imitar a escola realista do seu malogrado colega. Isto de pintar os soberanos tal como são sempre deu mau resultado.
O pintor árabe retratou o rei, recriando-o perfeito em todos os seus traços fisionômicos. Uma verdadeira obra de arte.
O monarca enfureceu-se ainda mais ao ver o novo trabalho. O retrato feito por Meryem era belo e em nada se parecia com o original de nariz singularmente feio.
– O Belzebu desse pintor quer gozar comigo! – gritou colérico. – Este retrato não se parece nada comigo! É um autêntico escárnio. E mandou enforcar o infeliz Meryem.

Finalmente, chegou a vez do jovem Fauzi Nalik, o pintor sírio.
– Estou perdido! – disse ele para os seus botões. – Se pinto o rei de nariz torto, vou para a forca; se lhe endireito a cara, sou enforcado!
E todos na cidade já lhe lamentavam, ao antecipar o seu triste fim.
– No dia em que der o último retoque no retrato do rei, irá direitinho levar o pescoço à forca!
Mas, para espanto geral, tal não aconteceu. O monarca ficou encantado com o trabalho do talentoso Fauzi Nalik.
– Este, sim – proclamou vaidoso e satisfeito, – este é o meu verdadeiro retrato.
E sem mais demora, mandou que lhe entregassem a prometida e valiosa recompensa: um elefante, um palácio e uma caixa de joias.
Quando Fauzi Nalik, radiante e feliz, deixou o palácio real, viu-se rodeado de amigos, que o enchiam de perguntas:
– Então? Como conseguiste o milagre? Pintaste o rei de nariz torto ou sem nariz? Conta-nos a proeza.
– Pois é! – respondeu o inteligente pintor. – Pintei o rei exatamente como ele é, mas num contexto a caçar tigres, e a arma que levava ao rosto tapava-lhe perfeitamente o nariz grotesco e monstruoso!
E, ao afastar-se, risonho, acrescentou:
– Se o defeito do rei Mahendra, ao invés de ser no nariz, fosse nas pernas, tê-lo-ia pintado a banhar-se num lago com água até a cintura.

Bem hajam.

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MIGUEL FERREIRA
Consultor | Formador | Advanced Master, Practitioner e Trainer em Programação Neurolinguística
Psicopedagogo, Especializado em Psicologia Clínica e da Saúde
Executive e Life Coach

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