
O que é a procrastinação? Por que adiamos tanto — e como quebrar o ciclo
“A procrastinação é, sem dúvida, a nossa forma favorita de auto-sabotagem”. Para muitos, esta frase descreve perfeitamente a sensação de enfrentar dias cheios, tarefas acumuladas e a impressão constante de que o tempo nunca chega. Embora pareça apenas um problema de organização, a procrastinação afeta profundamente a produtividade, a saúde mental e até a qualidade de vida.
Procrastinar, explicam os psicólogos Elliot Berkman e Jordan Miller-Ziegler, é uma escolha irracional que nos leva a preferir algo mais agradável no imediato em vez daquilo que realmente precisa de ser feito. Não é preguiça: é um conflito entre o conforto do agora e o benefício do futuro. Entre as causas mais comuns estão o evitamento da tarefa — quando uma atividade não é interessante ou não oferece recompensa imediata — e a necessidade da tarefa, uma urgência interna que, paradoxalmente, pode causar ansiedade e também levar ao adiamento. Junta-se a isso o conflito entre gratificação imediata e gratificação adiada, o medo do fracasso, o perfeccionismo e as dificuldades de auto-regulação, como má gestão do tempo, distração fácil e falta de foco.
A procrastinação tende ainda a reforçar-se: quando adiar traz alívio, o cérebro aprende que essa estratégia “funciona”; quando se conclui algo em cima da hora, a adrenalina cria uma falsa sensação de eficácia, mantendo o ciclo vivo. Mas o problema pode ser mais profundo. A chamada resistência psicológica — padrões internos que nos fazem evitar mesmo aquilo que desejamos realizar — mostra que a procrastinação não é apenas um problema de agenda, mas também emocional e mental, com impacto direto no bem-estar a longo prazo.
Quebrar esse ciclo exige consciência e estratégia. O primeiro passo é identificar o “porquê”: medo, falta de motivação, ansiedade ou dúvidas sobre a própria capacidade. Entender a causa facilita a mudança. Em seguida, ajuda definir objetivos realistas e dividir tarefas grandes em etapas pequenas e concretas. Começar de forma simples, quase fácil demais, é uma forma eficaz de gerar motivação através da ação. Também é essencial priorizar o que realmente importa, distinguindo o urgente do importante, e eliminar distrações como notificações, barulhos ou navegação automática nas redes sociais. Trabalhar por blocos de tempo, como no método Pomodoro, aumenta o foco, e ter um horário definido para cada tarefa reduz a probabilidade de adiamento. Por fim, é preciso paciência: mudar hábitos leva tempo, mas cada pequeno passo conta.
Como lembra Jack Kornfield, “o problema é que achas que tens tempo”. Talvez não tenhamos tanto quanto pensamos — e é precisamente por isso que vale a pena começar já.
Bem hajam.
Saiba mais informações sobre a nossas formações:

Advanced Master, Practitioner e Trainer em Programação Neurolinguística
Psicopedagogo, Consultor Empresarial, Executive e Life Coach