08 Out, 2017

Intestino – o seu segundo cérebro

08 Out, 2017

A serotonina talvez seja o neurotransmissor mais famoso do nosso organismo e o principal responsável pelo nosso bem-estar. Isto já é sabido por muito, mas o que pouca gente sabe é que a maior parte dela é produzida pelo intestino, que é o nosso segundo cérebro.

Podemos dizer que temos dois cérebros, um na cabeça e outro escondido em nossas entranhas. Os neurocientistas descobriram que o intestino também é capaz de se lembrar, ficar nervoso e dominar o seu nobre colega – o cérebro.

Essas células nervosas existentes no intestino para além de controlarem a digestão dos alimentos, são também responsáveis por sensações comuns e que são sentidas diretamente nesse órgão. Por exemplo: quando recebermos uma boa notícia ou, ao nos encontramos com a pessoa amada, invade-nos um formigamento agradável – o tal friozinho na barriga.  Pelo lado negativo, nas situações de tensão, medo ou angústia parece que somos corroídos por dentro. A repulsa em direção a algo ou alguém pode produzir náuseas e até mesmo provocar o vômito. A neurociência tem explicação para estes sintomas e confirma que o intestino possui altíssima concentração de células nervosas, quase exatamente como a estrutura do cérebro. Ambos produzem substâncias psicoativas que afetam o humor, como os neurotransmissores serotonina e dopamina e vários opióides que modulam a dor.

Assim, essa nossa parte intestinal ou chamada “cérebro abdominal” têm dois objetivos principais:

– Supervisionar o processo de digestão, promovendo o peristaltismo e a secreção dos sucos digestivos para digerir os alimentos, absorção e transporte de nutrientes e eliminação de resíduos.
– Apoiar o sistema imunológico na defesa do organismo.

O intestino liberta substâncias químicas como a serotonina, por exemplo, em resposta à nutrição e digestão saudável. Quando comemos bem, com variedade e com uma contribuição proporcional de todos os nutrientes e se temos um almoço saudável (sem pressa, mastigando bem e sem distração) o nosso sistema digestivo responde-nos e agradece-nos com uma sensação de bem-estar, dando-nos um bom acréscimo de energia, vitalidade e otimismo. Por outro lado, se por algum motivo a digestão e/ou trânsito intestinal é lento e incompleto estamos a acumular resíduos, o que pode causar uma sobrecarga tóxica ou autointoxicação. Muitas vezes o bem, ou mal-estar emocional pode estar intimamente ligado à qualidade da nossa alimentação. Diversos estudos demonstram que o jejum superior a seis horas pode desenvolver quadros depressivos causados exatamente pela interrupção do funcionamento adequado do nosso sistema gastrointestinal.

Os fatores emocionais são a causa de muito problemas e sintomas físicos, como a diarreia e a constipação (por falta de imunidade).

Outro exemplo é a Síndrome do Intestino Irritável, uma doença crônica que afeta o intestino grosso, cuja causa ainda é desconhecida e que tem sido tratada com Terapia Cognitivo Comportamental (método de tratamento psicológico) associada ao tratamento médico. Os sintomas são cólicas, gases associados à diarreia ou constipação. Também este quadro está intimamente ligado ao stresse e/ou à ansiedade.

O nosso intestino e o nosso cérebro exercer funções correlacionadas ao digerir os alimentos e as emoções, sendo que a ansiedade e diarreia podem estar intimamente ligadas. Quem é que nunca teve uma dor de barriga perante um evento ameaçador (física ou psicologicamente)? Por sua vez, a constipação (sintoma físico) parece estar sempre ligada aos indivíduos depressivos, que travam o extravasamento das suas emoções.

Pois bem, ao cuidar bem desse órgão tão representativo no nosso corpo (o intestino), estamos a garantir um fluxo necessário para o bem-estar.

Se perceber alguns dos sintomas descritos, procure ajuda médica e/ou psicológica e passe a cuidar melhor do seu segundo cérebro, sendo fundamental que invista no seu bom funcionamento dele, sobretudo desenvolvendo uma forma adequada de lidar com as suas emoções.

Um dos melhores métodos modernos atuais é a Programação Neurolinguística como forma de resolução de dificuldades emocionais.

Bem hajam.

Miguel Ferreira

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