03 Mar, 2019

Hábitos – 21 dias para programar o cérebro.

03 Mar, 2019

Vários estudos da Neurociência confirmaram que são necessários 21 dias para reprogramar o cérebro, a qualquer tipo de hábitos, tal como ser uma pessoa mais feliz e de bem com a vida, fazer yoga, meditar, mudar os hábitos alimentares, parar de fumar, parar de criticar, adotar condutas altruístas… etc.

Tudo o que conquistou, assim como o seu padrão de pensamento e comportamento, estão relacionados com os hábitos e estes influenciam diretamente a sua vida. 

Os hábitos são, essencialmente, padrões de comportamentos que acabam por se tornar uma parte do que somos, essencialmente quando se repete algum comportamento o cérebro cria vias sinápticas mais rápidas, de maneira a que uma ação aciona a ação seguinte, de forma quase automática.

– Um dos pioneiros da Teoria dos 21 Dias foi o cirurgião plástico e psicólogo Maxwell Maltz, em 1960, mencionado que os seus pacientes notavam as mudanças nas cirurgias apenas após 21 dias da operação, sendo este o tempo que o cérebro necessita para se adaptar a uma mudança.

– Em 1983, no artigo Three Weeks to a Better Me, na Reader’s Digest, relatou os esforços de uma mulher em não criticar durante 3 semanas.

– John Hargrave também descreve a importância dos 21 dias no seu livro Mind Hacking: How to Change Your Mind for Good in 21 Days.

– No best seller O Poder do Hábito, Charles Duhhig considera que são necessários 21 dias de repetição de uma ação para que se torne um hábito. Claro que existe a individualidade de cada um que pode levar a uma variação, como é revelado no estudo de Phillipa Lally, pesquisador de psicologia da saúde na University College London, publicado no European Journal of Social Psychology, onde é evidenciado que a partir de 18 dias consegue-se mudar um hábito, mas pode variar dependendo da pessoa, do comportamento e circunstâncias, sendo que o tempo médio foi de 60 dias para um comportamento se tornar automático.

O cérebro tem duas formas de tratar as informações e ações vividas: uma de forma consciente e a outra inconsciente. Podemos perguntar-nos: é possível fazer algo de forma inconsciente, sem nos darmos conta?

Naturalmente, é o que chamamos de “modo automático”, são as ações que executamos sem a necessidade de prestar atenção a cada movimento. Muitas das coisas que executamos com frequência ao longo do dia, de forma repetitiva, estão em modo automático, quer seja na nossa rotina doméstica ou mesmo no trabalho. Conduzir, por exemplo, é um hábito tão mecanizado que muitas vezes saímos de um lugar e chegamos ao outro e nem nos lembramos do percurso, seja de carro ou mesmo a pé.  O cérebro está tão treinado com aquele caminho que já o faz com a mente focada em mil e uma ideias, menos no ato de conduzir, caminhar ou no percurso.

Quando repete uma ação muitas vezes o cérebro cria um caminho neural que envolve os atos de pensar, sentir e agir. Depois de múltiplas repetições avançamos do modo consciente e para o inconsciente, tornando-se o inconsciente competente numa determinada ação. Desta forma, pelo menos 95% das nossas ações são comandadas pela mente subconsciente, um super-computador com uma enorme base de dados de comportamentos programados.

A transferência ocorre quando uma ação já programada migra da zona CONSCIENTE do cérebro, ou seja, da zona pensante, para a zona de execução automática do cérebro, ou seja, INCONSCIENTE.

É desta forma que que nos tornamos multifuncionais. Vamos citar novamente o exemplo de conduzir, algo fácil e totalmente mecânico. Observe quantos movimentos são realizados sem que precise prestar atenção. O pé direito no acelerador ou no travão e o pé esquerdo na embraiagem, os 3 pedais em movimentos sincronizados para o carro não “morrer”. Será que pensa na meia embraiagem quando conduz? Seguramente que não. Enquanto isto, os olhos monitoram 3 retrovisores e as mãos controlam o volante, mudanças e manípulos para sinalizar as conversões, etc… E faz isto tudo enquanto conversa com alguém no carro ou em alta voz, canta, toma decisões importantes, ouve o rádio, enfim, a sua atenção está sempre voltada para alguma outra coisa, pois conduzir não requer a sua atenção uma vez que se tornou automático.

Segundo a neurociência, estamos no piloto automático sob o comando da mente inconsciente, 95% do nosso tempo, ou seja, não estamos conscientes a maior parte do tempo. No entanto, é possível programar e desprogramar o cérebro no que se refere a qualquer ação cognitiva que envolva o pensamento, a linguagem, a percepção, a memória, o raciocínio e o intelecto. Isto através da repetição que adquire uma nova forma de pensar, sentir, agir e comportar-se.

Então, uma forma simples de adquirir um novo hábito é estabelecer um programa de 21 dias. Determine o que quer ou necessita que se torne um hábito. Estabeleça um horário em que se possa dedicar a isso e repita por 21 dias consecutivos (sem falhas). Muito provavelmente no início encontrará resistência, mas a partir do 22º dia a ação será executada com naturalidade e sentirá falta se não a realizar, pois o cérebro já estará habituado com a prática. Sem esforço nem desconforto.

Para isto, a rotina de repetição deve ser empregada por 21 dias consecutivos. Consecutivos mesmo, sem falhar nem 1 dia. E é aqui que entra a sua disciplina. Este método de 21 dias pode ser aplicado para qualquer coisa, adquirir uma rotina de estudo, organização no trabalho, forma de pensar positivamente, fazer uma atividade física, ou, algo que cada vez mais faz a diferença: MEDITAR!!!

Desta forma é possível criar um novo hábito por mês e, ao fim de um ano, desenvolveu 12 novos hábitos. No entanto, é essencial efetuar a repetição de forma consciente, e fazer as coisas com estado de consciência ativa, para que possa “saborear” e viver de forma significativa até mesmo as suas tarefas rotineiras.

O problema de viver no piloto automático, poderá ser a dificuldade de concentração, uma vez que os pensamentos e comportamentos automáticos tiram a nossa atenção do momento presente, pois são estruturados por experiências do passado. Outra consequência é também a diminuição da criatividade, pois o hábito de seguir padrões repetidos levará à inflexibilidade, e daí a dificuldade a adaptar-se a novas situações, a encontrar novos caminhos e a ver possibilidades inovadoras.

Os seus hábitos guiam o seu destino. Se os seus pensamentos, atitudes e comportamentos não o favorecem, então está na hora de mudar e pode fazer isso através duma disciplina diária e mudança na sua rotina no que se refere ao pensar e agir.

No entanto, talvez mais importante do que adquirir novos hábitos é desestruturar hábitos antigos e sabotadores (padrões mentais negativos ou limitadores).

Muitos autores, sugerem usar a metodologia dos 21 Dias para adquirir o hábito da meditação e do relaxamento para edificar o inconsciente para atingir a consciência. Viver e atenção plena.

Em relação a mudar ou abandonar hábitos antigos não é assim tão simples, uma vez que as sinapses foram ativadas por uma repetição de comportamento, mesmo que se consiga quebrar por forte determinação e disciplina, essas sinapses podem ser reativadas sob o menor estímulo. Isto é muito evidenciado no caso de vícios.

De qualquer forma, para aumentar as hipóteses de sucesso, procure mudar um hábito de cada vez. Estabeleça planos e repita o comportamento de forma que se torne instintivo, prazeroso e seja parte de si.

Desta forma o seu destino também está traçado na sua mente, portanto, pergunte-se: programei a minha mente a meu favor ou contra mim?

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