30 Abr, 2017

A Arte de Dizer as Coisas

30 Abr, 2017

A Arte de Dizer as Coisas

Talvez esta seja a nossa maior habilidade e que nos distingue de todos os outros animais, contudo, nem sempre a usamos da melhor forma. Falo pois, da linguagem e sobretudo da comunicação, que poderá ser para dentro de nós (diálogo interno) ou para os que nos rodeiam. Deixo-vos aqui uma história que por si só pode resumir, tudo aquilo que

vos poderiam comunicar, e no final pense no assunto.

“Uma sábia e conhecida história diz que, certa vez, um sultão sonhou que tinha perdido todos os dentes. Logo que despertou, mandou chamar um adivinho para que interpretasse o seu sonho.

– Que desgraça, senhor! – exclamou o adivinho.

– Cada dente caído representa a perda de um parente de vossa majestade.

– Mas que insolente! – gritou o sultão enfurecido.

– Como te atreves a dizer-me semelhante coisa? Fora daqui!

Chamou os guardas e ordenou que lhe dessem cem açoites.

Mandou que trouxessem outro adivinho e para lhe contar sobre o sonho. Este, após ouvir o sultão com atenção, disse-lhe:

– Excelso senhor! Grande felicidade vos está reservada.

O sonho significa que haveis de sobreviver enquanto os vossos parentes partirão para o outro mundo.

A fisionomia do sultão iluminou-se num sorriso, e ele mandou dar cem moedas de ouro ao adivinho.

Quando este saía do palácio, um dos cortesãos disse-lhe admirado:

– Não é possível! A interpretação que você fez foi a mesma que o seu colega tinha feito. Não entendo porque ao primeiro ele pagou com cem açoites e a você com cem moedas de ouro.

– Lembra-te meu amigo – respondeu o adivinho – que tudo depende da maneira de dizer as coisas…”

Um dos grandes desafios da humanidade é aprender a arte de comunicar. Da comunicação depende, muitas vezes, a felicidade ou a desgraça, a paz ou a guerra. Que a verdade deve ser dita em qualquer situação, não resta dúvida. Porém, a forma com que ela é comunicada é que pode provocar grandes problemas. A verdade pode ser comparada a uma pedra preciosa. Se a lançarmos no rosto de alguém pode ferir, provocando dor e revolta, mas, se a envolvermos em delicada embalagem, e a oferecermos com ternura, certamente será aceita com felicidade.”

Lembrem-se, talvez a diferença que possa fazer a diferença, seja mesmo a maneira como dizemos as coisas.

Bem hajam

Miguel Ferreira

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