O Carvão

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O pequeno Pedro entra em casa, depois da escola, muito agitado e a esbracejar. O seu pai, observa-o e chama-o para conversarem sobre o que se passava.
Pedro de oito anos de idade, acompanha-o até a horta desconfiado. Antes que lhe dissesse alguma coisa, Pedro começa a falar irritado:
— Pai, estou com muita raiva. O João não deveria ter feito aquilo comigo. Desejo-lhe tudo de mau.
O seu pai, um homem simples, mas cheio de sabedoria, escutou-o calmamente, enquanto ele continuava a reclamar:
— O João gozou comigo a frente dos meus amigos. Já não gosto dele. Queria que ele ficasse doente sem poder ir à escola!
Calado, o pai escutava-o enquanto caminha até um alpendre onde guardava um saco cheio de carvão. Levou o saco até o fundo do quintal e enquanto que o seu filho o observava calado. Pedro vê o saco a ser aberto e antes que lhe pudesse fazer alguma pergunta, o pai propõe-lhe:
— Ora bem! Faz de conta que aquela camisa branca que está a secar no estendal é o seu amigo João e cada pedaço de carvão é um desses teus pensamentos, direcionados a ele. Quero que mandes todo o carvão do saco na camisa, até o último pedaço. Depois venho ver como ficou.
Ele achou que seria uma brincadeira divertida e pôs mãos à obra. O estendal onde estava a camisa ainda era longe do ponto onde se encontrava e poucos pedaços de carvão acertavam no alvo. Passou-se meia hora e o menino tinha terminou a tarefa. O pai que o observava de longe, aproximou-se perguntou-lhe:
— Como te estás a sentir agora?
— Estou cansado, mas alegre porque acertei com muitos pedaços de carvão na camisa.
Então o pai carinhoso diz-lhe:
— Vêm comigo até o meu quarto, quero-te mostrar uma coisa.
O filho acompanha o pai até ao quarto, que o coloca à frente dum grande espelho onde se pode observa. Ai estremece de susto! Só conseguia ver os dentes e os olhos. O pai, então, diz-lhe ternamente:
— Viste que a camisa no estendal quase não se sujou, mas, olha para ti! O mal que desejamos aos outros, é como o que te aconteceu. Por mais que possamos atrapalhar a vida de alguém com os nossos pensamentos, e sobretudo com o mal que lhes desejamos, este fica sempre em nós mesmos.

Bem hajam,


programação neurolinguística

MIGUEL FERREIRA

Consultor | Formador | Advanced Master, Practitioner e Trainer em Programação Neurolinguística

Licenciado em Psicopedagogia, Especializado em Psicologia Clínica e da Saúde

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